ORGANIZAÇÕES DESNORTEADAS ? CULTURA DO COMPROMETIMENTO!* Do egocentrismo à empatia corporativa: não “cultura do EU”, mas “cultura do NÓS”

Mais de 89% das empresas da Fortune 500 desapareceram dessa lista nos últimos 63 anos. Ou seja, entre 1955 e 2018, apenas 11% permaneceram, segundo o American Enterprise Institute – AEI (1). Por que? Perderam o rumo, desorientaram-se?

“Se você não está confuso, não percebeu o que está acontecendo”, afirmou Jack Welch, que foi CEO da GE (2) .

Por que organizações de sucesso parecem transformar-se em organizações desnorteadas? Uma das causas mais importantes certamente é não valorizar e não trabalhar sistematicamente a cultura organizacional. Há quem leve isso muito a sério.

Tony Hsieh, presidente da Zappos, afirma:  “mesmo sendo um superstar na sua especialidade, se você for ruim para a cultura, nós vamos demitir você!” (3)

A Diretora de RH da 3M (4) fala sobre a prática de sua organização: ao invés de competição individual, estimulamos as pessoas a trabalharem por uma boa entrega coletiva, criando-se uma cultura de criatividade e colaboração. 

Não “cultura do eu”, mas “cultura do NÓS”. Não “cultura egocêntrica”, mas “cultura empática”.

Não “cultura de envolvimento”, mas “cultura de comprometimento”.

No dicionário (5) a palavra “envolvimento” quer dizer “caso, aventura”. Ou “ato de envolver-se”, que significa “cobrir-se com invólucro, embrulhar-se”, e tem na raiz etimológica “enrolar, esconder”.  Já “comprometimento” significa “compromisso”.

As organizações de sucesso duradouro criam uma “cultura de comprometimento”. As que deixam brotar uma “cultura de envolvimento”, onde as pessoas enrolam, se escondem e tem apenas um “caso” com a organização, se transformam em “organizações desnorteadas”. Nessa “cultura de envolvimento” muitos acabam abraçando um modelo mental do  “Cada um por si e Deus por todos! Nada é problema de ninguém!”

Certa vez, num encontro de desenvolvimento de lideranças sobre o Kaizen Zero (WCCA), quando o instrutor falava sobre a necessidade de interação entre as diversas áreas, um gerente pediu a palavra e disse: “Nossa empresa é uma AMEBA (6)! Aqui predomina o EU e não o NÓS, o egocêntrico e não o empático!” E quando passou-se a discussão com o grupo ele complementou e esclareceu.  Disse que até havia um excelente padrão operacional e tecnológico consolidado em todas as áreas: comercial, administrativa, financeira, RH, etc. Porém, o problema estava nas deformações provocadas no organismo empresarial: ao invés de pensar no todo, no trato diário cada um pensava mais na sua parte. Esse comportamento egocêntrico gerava conflitos entre pessoas e áreas e grande perda de energia porque cada um fazia muita força, mas, muitas vezes, em direções diferentes. A consequência da falta de empatia corporativa era evidente: perda de qualidade e produtividade, aumento nos custos, e deterioração do clima com aumento da insatisfação.

A deformação organizacional gera a AMEBA, símbolo da falta de um Norte Cultural!

Que Norte Cultural é desejável? O norte cultural do COMPROMETIMENTO: sinérgico, empático, da negociação constante de todos com todos. É um norte de valores empáticos, onde todas as pessoas cultivam o “sentimento de dono”: todos nós somos fabricantes e vendedores de nossos produtos, “todos os problemas são problemas de todos”.

Com esse norte cultural todos trabalham numa mesma direção e a energia concentrada vai gerar níveis de excelência de qualidade, produtividade, satisfação e desenvolvimento. (7)

E sua organização ? Ela tem um padrão cultural? Qual? Em que medida os gestores se sentem desnorteados ou se preparam corajosamente para enfrentar esses desafios?

*Colaboração de Antonio Carlos A. Telles, Consultor da WCCA.

  • Houaiss
  • Ameba
  • Apostila “Kaizen Zero”, WCCA, 2019.

MATÉRIA PUBLICADA VIA LINKEDIN EM 16/08/2019, PELO USUÁRIO E GERENTE: GUILHERME CARVALHO.

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